Conheça tipos de câncer que atingem milhares de mulheres

Além do cor-de-rosa

ntes de a delicada fitinha cor-de-rosa, criada em 1990, ser usada como símbolo do câncer de mama e de outubro ser conhecido mundialmente como o mês da luta contra a doença, ela era quase esquecida. Agora, com a campanha pesada que acontece anualmente no mundo todo e colore desde monumentos famosos até os campos de futebol, o mal se mantém presente na cabeça da maioria das pessoas. E isso foi muito bom: trazer o câncer de mama à tona impulsionou alguns grandes ganhos científicos, incluindo a mamografia 3D, um exame que se mostrou muito eficiente para detectar a doença e ajudou a evitar alarmes falsos. Além disso, as mulheres ficaram mais vigilantes em relação aos nódulos. A recompensa: 61% dos tumores agora são detectados em estágios mais precoces, o que possibilita um tratamento mais eficaz.

Mesmo que a conscientização sobre o câncer de mama tenha aumentado tanto, a maioria de nós ainda fica no escuro quando se trata do risco de outros tipos da doença: em um levantamento recente, apenas 22% das pessoas ouvidas sabiam que o câncer de pulmão faz muitas vítimas entre as mulheres. “No Brasil, ele é o segundo em mortalidade, perdendo apenas para o de mama”, conta o cirurgião oncologista, epidemiologista em São Paulo.

Ainda bem que o tempo está do nosso lado. “Alguns tipos de câncer levam dez anos ou mais para se desenvolver, o que significa que você pode fazer muito agora para ajudar a diminuir a chance de ficar doente em algum momento da vida”, diz a médica cancerologista de São Paulo. Veja a seguir o que é possível fazer para se proteger dos tipos mais comuns entre as mulheres.

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CÂNCER DE PULMÃO

É o segundo em mortalidade entre as brasileiras.

583 mil – Número de novos casos entre as mulheres do mundo todo, de acordo com o último levantamento global.

90% dos casos ocorrem em fumantes ou ex-fumantes.

10 930 – Número estimado de novos casos da doença no país em 2014.

Maiores fatores de risco

“O cigarro é o principal”, afirma . Na sua fumaça existem mais de 5 mil substâncias químicas, das quais cerca de 50 são cancerígenas. Por essa razão, o hábito aumenta em 40 vezes a chance de desenvolver a doença, em comparação aos não fumantes.

Sua estratégia anticâncer

Se você não fuma, não comece agora. Pode parecer óbvio, mas estudos recentes mostraram que 41% das mulheres acenderam seu primeiro cigarro quando estavam na faixa dos 20 aos 30 anos. E é bom que fique claro que há perigo, independentemente do que você coloque na boca: a taxa de câncer em quem fuma cigarros light ou com baixo teor de alcatrão não é menor do que naquelas que optam pelas versões normais. A única opção é jogar o maço fora – quanto antes, melhor. Abandonar o vício na faixa dos 40 anos pode estender a vida por cerca de uma década, segundo pesquisadores. Veja o que mais você pode fazer:

– Fique longe de quem fuma. O fumante passivo, que convive com quem tem o hábito em locais fechados, seja em casa, seja no trabalho, corre o mesmo risco.

– Monitore a sua respiração. Tomografias computadorizadas dos pulmões não são recomendadas até os 55 anos, seja qual for a sua história em relação ao fumo. Por isso, fale com o médico se tiver uma tosse persistente, estranha (e contínua ou com a presença de sangue), dificuldade respiratória ou chiado no peito ao respirar.

CÂNCER DE PELE

83 710 – Número estimado de novos casos de câncer de pele não melanoma em brasileiras no ano de 2014.

A Academia Americana de Dermatologia crê que novos casos do tipo não melanoma a cada ano no mundo cheguem a 2 milhões.

4 – Porcentagem dos tumores malignos diagnosticados como melanoma, forma mais grave.

1 em cada 4 – O câncer de pele corresponde a 25% de todos os tumores malignos registrados no país.

2 930 – Incidência de melanoma estimada para este ano em todo o Brasil.

Maiores fatores de risco

“A exposição aos raios ultravioleta do sol pode danificar as células da pele, o que faz com que elas fiquem predispostas a se tornarem cancerosas no futuro”, conta. Cabines de bronzeamento artificial são especialmente perigosas, pois emitem uma dose muito grande de radiação UV em um período muito pequeno de tempo. Pesquisas mostraram um risco 20% maior de melanoma em quem as usa, em comparação com pessoas que nunca se submeteram a esse tipo de procedimento – e o risco duplica em quem começa depois dos 35 anos.

Sua estratégia anticâncer

Não é possível recuperar completamente os danos provocados na sua pele quando você estava com 20 anos, mas frear a exposição solar agora vai ajudar a protegê-la do melanoma, assim como o câncer de pele espinocelular ou basocelular – dois tipos que são menos mortais, porém mais comuns.

– Use um chapéu com aba larga e roupas com filtro. Os tecidos sintéticos oferecem uma proteção mais eficaz. Mas o ideal é usar peças com FPS.

– Se besuntar de protetor solar com espectro amplo. Use um filtro com FPS no mínimo 30, independentemente do clima – a radiação solar consegue atravessar as nuvens e até mesmo o vidro. E não economize na hora de aplicar o produto, pois uma quantidade muito pequena compromete a proteção. Reaplique a cada duas horas (aumente a frequência se estiver na água ou suando muito) e seja especialmente vigilante em relação a braços e pernas, as regiões onde os melanomas são mais frequentes nas mulheres.

– Converse com seu dermatologista sobre manchas suspeitas. “As mais preocupantes são as que mudam de cor, tamanho, forma ou textura”, alerta  dermatologista da Brown University, nos EUA, que liderou um estudo mostrando que ter cinco ou mais queimaduras solares com bolhas até os 20 anos eleva em 80% o risco de melanoma.

CÂNCER DE CÓLON E RETO

5 anos – Tempo médio de sobrevida para uma mulher com esse tipo de câncer.

614 mil – Número de novos casos da doença que devem acontecer em todo o mundo em 2014. É o segundo tipo de câncer mais comum entre as mulheres.

17 530 – Número estimado de novos casos em 2014 no Brasil.

Maiores fatores de risco

Conhecer o seu histórico familiar é importantíssimo. Isso porque o risco dobra se um dos pais ou um irmão foram diagnosticados com a doença antes dos 55 anos, já que um em cada quatro casos aparece em familiares. Além disso, tome cuidado com a ingestão de álcool. Pesquisas revelaram que mulheres que tomam duas ou três doses diariamente têm 8% a mais de chance de sofrer com a doença, em relação às que ficam em apenas um drinque ou as que não bebem nada alcoólico. Outros estudos mostraram que o fumo pode aumentar o risco de câncer de cólon em até 50%.

Sua estratégia anticâncer

O avanço da investigação e do tratamento fez disparar as taxas de sobrevivência, em parte porque pólipos preocupantes estão sendo removidos antes de se tornarem cancerosos. Mesmo assim, a não ser que você tenha histórico familiar forte, as colonoscopias não são indicadas antes dos 50 anos. Então, o que você pode fazer?

– Ouça a sua barriga. Cólicas persistentes, assim como perda de sangue nas fezes e constipação crônica, não são bons sinais.

– Mantenha-se em forma e ativa. “Assim você evita altos níveis de açúcar no sangue, o que, segundo pesquisas, podem incitar esse tipo de câncer”, diz Graham Colditz, diretor associado de prevenção e controle no Siteman Cancer Center, nos Estados Unidos.

– Limite a ingestão de carnes vermelha e processada. Estudos relacionaram esses alimentos com o aumento do risco do surgimento da doença. Os especialistas recomendam não comer mais do que três porções (entre 60 e 85 gramas) de carne vermelha, salsichas, embutidos e bacon por semana.

CÂNCER DE COLO DE ÚTERO (CERVICAL) E DE OVÁRIO

15 590 novos casos de câncer de colo de útero são estimados no Brasil em 2014.

5 680 – Estimativa de novos casos de câncer de ovário no Brasil em 2014.

QUARTO tipo de câncer mais comum entre as mulheres, de acordo com os últimos cálculos mundiais: o de colo de útero.

91% – Taxa de sobrevida em cinco anos nas mulheres com câncer de colo de útero; isso se ele for diagnosticado precocemente. Cerca de metade dos casos é identificada nesse estágio.

Maiores fatores de risco

O papilomavírus humano (HPV) é transmitido sexualmente e pode desencadear o câncer de colo de útero. E o risco da doença no ovário é muito mais alto em quem carrega a mutação do gene BRCA.

Sua estratégia anticâncer

O papanicolau pode identificar células pré-cancerosas no colo do útero; os especialistas agora recomendam fazer esse exame a cada três anos, em vez de anualmente, se os dois primeiros forem normais. E, se você ainda não tem 27 anos, a vacina contra o HPV continua sendo uma boa opção. Outras estratégias:

– Conheça os sinais. “Notifique seu médico sobre inchaços abdominais prolongados (um alerta para câncer de ovários) ou alterações na menstruação, fazendo com que ela fique irregular ou com fluxo muito intenso (sintomas dos dois tipos de câncer)”, diz  professora do Texas, nos EUA.

– Cheque a sua história. “Mulheres que têm a mutação do gene BRCA ou forte histórico familiar devem conversar com seu médico e até considerar remover os ovários entre os 30 e os 40 anos, depois de decidirem não ter mais filhos”, diz.

– Reconsiderar a pílula. Ela reduz o risco de câncer de ovário, mas aumenta as chances de desenvolver a doença no colo do útero. Converse com seu médico sobre a melhor opção para você.

O peso faz diferença

Estudos apontaram que pelo menos 20% das mortes por câncer em mulheres são ligadas ao ganho de peso. “Quilos extras são capazes de ampliar os níveis de estrógeno no corpo, o que pode levar ao crescimento desorganizado de células do câncer relacionado a hormônios”, diz. “Em outros tipos da doença, como o de cólon, a teoria é que a elevação do açúcar no sangue induzido pelo excesso de peso aumenta o risco da doença.”

E, se você tem quilos para perder, não confie apenas na dieta. Pesquisas mostraram que o sedentarismo por si só aumenta os riscos de vários tipos de câncer, provavelmente pelos níveis elevados de açúcar no sangue. E ir para a academia talvez não seja suficiente: “Uma hora suando a camisa não apagará os efeitos de muito tempo sem se mexer. O ideal é se movimentar durante o dia todo para executar os afazeres do cotidiano”, afirma.

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