ANVISA LIBERA CANABIDIOL PARA USO MÉDICO

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Usados como medicamento e suplemento alimentar em diversos países, produtos à base de canabidiol (CBD), um dos cerca de 80 princípios ativos da maconha, poderão ser receitados por médicos com registro profissional paulista. O Conselho Regional de Medicina de São Paulo publicou ontem uma resolução que regulamenta a prescrição da substância presente na cannabis sativa, que consta na lista de proibidas no país. O CBD poderá ser prescrito a bebês e crianças em casos de epilepsia refratária quando os medicamentos convencionais, registrados na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), não funcionam mais.

O CBD pode contribuir para reduzir o número de convulsões em casos de epilepsias de difícil controle. A saga para conseguir o composto é tema de um documentário que estreou esta semana e que mostra a trajetória de Katiele Fischer, 34 anos, para trazer o canabidiol ao Brasil para tratar a filha Anny, de 6 anos, que sofre de uma síndrome rara cujo sintoma é a epilepsia. Segundo ela, as convulsões da filha reduziram de 60 por semana a zero depois do uso da substância. O CBD pode ser importado por meio de uma autorização especial da Anvisa que requer, entre outros documentos, uma prescrição médica.

Uma das dificuldades relatadas por famílias que precisam do produto no filme, entretanto, é a de conseguir a receita e o termo de responsabilidade assinado pelo profissional, porque médicos ficam receosos de sofrer sanções por se tratar de uma substância proibida no Brasil. O vice-presidente do Cremesp, Mauro Aranha, conta que se reuniu com conselheiros, pesquisadores e câmaras técnicas de neurologia e psiquiatria do conselho depois de participar de um congresso na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). “As mães mostraram que estavam tendo muita dificuldade de importar, porque os próprios pediatras e neurologistas tinham medo de receitar, embora a Anvisa autorizasse a importação de excepcionalidade a partir de uma receita médica.”

Uma das considerações do documento elaborado é justamente a de que, apesar de o composto não ser registrado na Anvisa, ele é “promissor e de boa tolerabilidade nas situações clínicas especificadas e quando adequadamente diagnosticadas”. O Cremesp ressaltou, no entanto, que em nenhum momento faz a defesa do uso recreativo ou do uso terapêutico eventual da maconha fumada.

“As mães mostraram que estavam tendo muita dificuldade de importar, porque os próprios pediatras e neurologistas tinham medo de receitar” – Mauro Aranha, vice-presidente do Cremesp
 (Reprodução Youtube)

Os benefícios do medicamentos são muitos e pacientes que  sofriam ate 60 convulsões por semana agora reduziram a zero.

Doença de Parkinson, Mal de Alzheimer e psicose são algumas das doenças tratadas com o canabidiol fora do pais, gerando resultados significativos.

 

Liberação

Nos Estados Unidos, 18 estados e o distrito de Columbia já aprovaram o uso medicinal da maconha, além de dois, Colorado e Washington, que liberaram também o uso recreativo. No Brasil, existem pesquisas sendo feitas em universidades, mas o uso medicinal é proibido, a não ser em casos específicos que necessitam de autorização.

Veja algumas das doenças que podem utilizar a maconha como tratamento adicional nos estados norte-americanos:

• Câncer. Nos efeitos adversos da quimiote­­rapia, como náuseas e vômitos. A maconha seria eficiente em reduzir esses sintomas.

• Esclerose múltipla e outras doenças do sistema nervoso.

• HIV/AIDS e outras doenças que causam caquexia, que é uma perda de peso rápida associada a diversas doenças pulmonares, renais, cardíacas.

• Glaucoma.

• Epilepsia e outros tipos de convulsão.

• Doença de Alzheimer.

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