Comer placenta e beber leite materno: Veja mitos sobre ”receitas da maternidade”

Beber leite materno em idade adulta é prejudicial à saúde, alerta estudo:

Vendido livremente na internet, produto vem ganhando adeptos com promessa de que aumenta defesas do organismo. Beber leite materno em idade adulta é “um perigo” para a saúde, alertaram pesquisadores britânicos. O produto ─ disponível para a venda na internet ─ vem ganhando adeptos com a promessa de que aumenta as defesas do organismo.

Mas cientistas da Universidade Queen Mary, em Londres, dizem o contrário. Segundo eles, o leite não pasteurizado contém germes perigosos para o corpo humano. Uma das autoras do estudo, afirmou serem enganosas as promessas de que o produto melhora o sistema imunológico. Além disso, ela disse que há riscos de que o leite contenha bactérias nocivas à saúde. “Quanto mais o leite demora para ser transportado, mais tempo as bactérias têm para se proliferar”, afirmou.

“Testes realizados nos Estados Unidos e no Reino Unido mostraram níveis elevados de bactérias ruins, que na verdade provêm do intestino, basicamente, ou seja, das fezes da mãe que acabam no leite”, acrescentou a pesquisadora. Ela explica a pasteurização do leite “mata” as bactérias ruins. Ela lembra ainda que o procedimento é importante porque garante a qualidade do produto.

“Nesse sentido, podemos testá-lo para substância prejudiciais e assegurar que o leite contaminado possa ser descartado e não consumido”.

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Bom para o bebê

A pesquisadora ressalva que o leite materno é “uma opção nutricional ótima para o bebê”. “Em nenhum momento queremos dizer que a ingestão de leite materno pelo recém-nascido é prejudicial à sua saúde. Pelo contrário”, afirmou ela.

“Há algumas pessoas, no entanto, entre elas pacientes de câncer ou outras doenças, que acreditam que beber leite materno aumenta a resistência do organismo ou mesmo facilita a digestão de alimentos. Não há qualquer comprovação científica disso.”

Ela também recomenda maior cuidado com informações obtidas por meio da internet. “Muitas das informações que as pessoas acham na internet são normalmente o contrário do que elas realmente significam.Talvez haja alguns benefícios relacionados à ingestão de leite materno por adultos, mas a maior parte dessas descobertas ainda não saiu dos laboratórios, ou seja, ainda está em fase de pesquisa”.

“Além disso, é preciso ressaltar a diferença entre extrair componentes do leite materno que foram produzidos em laboratório para o tratamento de doenças e comprar uma garrafa e sair bebendo. É um leite não pasteurizado, saiu de alguém cuja história é desconhecida, e o usuário está se expondo a riscos envolvendo bactérias, vírus e até toxinas”, concluiu.

Comer placenta não traz benefícios à saúde, diz estudo:

Ingerir placenta – cozida, em cápsulas ou in natura – após o parto está se tornando cada vez mais popular, especialmente após celebridades como Kourtney Kardashian e a atriz January Jones terem aderido à prática e dizerem ter sentido vários efeitos positivos. Mas um levantamento feito por pesquisadoras americanas concluiu que não há benefícios em se comer placenta, seja qual for a maneira como foi preparada.

 Foto: iStock

O estudo feito na Faculdade de Medicina de Northwestern, em Chicago, analisou dez pesquisas sobre o tema publicadas recentemente e disse não ter encontrado evidências de que o consumo de placenta ofereça proteção contra depressão pós-parto ou que reduza dores, dê mais energia, ajude na amamentação, promova a elasticidade da pele , auxilie no vínculo entre mãe e bebê nem tampouco seja fonte de ferro para a mãe, como muitos acreditavam.

O Royal College of Midwives, associação britânica que reúne as parteiras do país, defende que ingeri-la ou não deve ser uma decisão da mulher.

Riscos

Uma das responsáveis pelo levantamento, a especialista em reprodução Crystal Clark, diz justamente que é ainda mais grave o fato de não haver estudos analisando os possíveis riscos dessa prática. “Os relatos de mulheres que sentiram os benefícios em se comer placenta são muito subjetivos e não há uma pesquisa sistemática sobre os benefícios e os riscos da ingestão de placenta”, disse Clark.

“A popularidade de se comer a placenta vem crescendo enormemente nos últimos anos. Nossa impressão é a de que as pessoas não estão tomando suas decisões baseadas em evidências científicas ou em conversas com seus médicos. Algumas mulheres estão optando por isso baseadas em relatos da mídia, em blogs e sites”, afirmou a especialista.

A principal responsável pelo estudo, alerta para o fato de não haver normas ou recomendações sobre como armazenar e preparar a placenta. “Muitas mulheres estão comendo placenta sem detalhes sobre os potenciais riscos para elas mesmas e seus bebês”, disse.

No entanto, Louise Silverton, do Royal College of Midwives, declarou que não há evidências suficientes para desaconselhar o consumo de placenta. “Isso tem de ser uma decisão da mulher”, afirmou. “Elas precisam estar cientes de que, como qualquer produto que é ingerido, placentas podem estragar. Então é preciso cuidado em como armazená-la.”

Além disso, ela disse que, se uma grávida está pensando nessa opção, deve discutir com sua parteira antes do parto, para que as providências necessárias sejam tomadas. Apesar de a placenta ser muito rica em fluxo sanguíneo, há riscos em ingeri-la. O que a mulher faz com a placenta é decisão dela, mas eu não recomendaria que a ingerisse.

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