Você sabe o que é um coletor?

Imagine que durante dez anos você não precise comprar absorventes. Some-se a isso, a contribuição para o meio ambiente: durante a vida fértil, uma mulher usa entre 10 e 15 mil absorventes. Como não são biodegradáveis, demoram em média cem anos para se decompor na natureza. Acrescente ainda um risco menor de alergias e a praticidade de passar 12 horas sem lembrar que existe menstruação. Apesar de não ser uma novidade, só agora o coletor menstrual tem ganhado mais adesão entre as brasileiras.

Segurança
O  coletor menstrual é uma opção segura desde que as instruções do manual de utilização e higienização do produto sejam seguidas corretamente. Ela explica, por exemplo, que o copo não deve ser utilizado para coletar o sangramento que permanece por alguns dias após o parto e é chamado tecnicamente de loquiação. Ele deve ser utilizado apenas para coletar o sangue menstrual e não para conter corrimentos ou outras secreções vaginais. Mulheres com qualquer sintoma de infecção vaginal devem procurar um ginecologista para tratá-la antes de começar a usar o copo.

Higienização
O coletor menstrual deve ser esvaziado conforme a necessidade de cada mulher, não se deveria permanecer com ele na vagina por um prazo superior a 8 horas, já que aumenta o risco de maior proliferação bacteriana local. Sempre que esvaziá-lo, lave-o com água e sabão neutro, outros produtos podem danificar o silicone. Enxágue bem para retirar resíduos químicos do sabão que podem causar irritação vaginal.

Ao final de cada ciclo, a especialista recomenda fervê-lo por cinco minutos em um recipiente específico: Seque bem e armazene-o na embalagem própria do produto. Fique atenta para informações específicas do manual do fabricante e é interessante higienizá-lo novamente antes de iniciar seu uso no ciclo seguinte.

Candidíase
A relação entre o uso do coletor menstrual e a diminuição da reincidência de candidíase ainda não está comprovada na literatura científica. O que se sabe é que a maior umidade da vulva durante a menstruação é um fator de risco para candidíase recorrente pois facilita a proliferação do fungo e surgimento dos sintomas.

A especialista diz que já foi evidenciado que o uso dos absorventes externos e o menor número de trocas estão associados ao aumento das recorrências da doença na população geral. Segundo ela, faz sentido pensar que a utilização de absorventes internos ou coletores menstruais evitaria o excesso de umidade vulvar em decorrência da menstruação e do abafamento causado pelos absorventes externos, o que diminuiria as crises. Segundo relatos de fabricantes, diversas mulheres relataram a diminuição nas crises de candidíase ao usar o coletor menstrual. Por outro lado, sabe-se também que o próprio sangramento menstrual coletado pode promover alterações na microflora vaginal aumentando a predisposição a infecções bacterianas e fúngicas neste período.

Para ela, como as evidências científicas são escassas e ainda não são claras, existe a necessidade de estudos mais detalhados e com um melhor nível de evidência para analisar adequadamente a correlação entre o uso do coletor e a diminuição dos episódios da doença.

Alergias
Em relação às alergias, o coletor menstrual tem o benefício de ser feito de silicone, um material inerte e pouco alergênico. Já os absorventes externos têm a desvantagem de irritarem a pele devido ao aumento da umidade local. Em relação aos absorventes internos, a médica diz que a qualidade dos produtos têm mudado no decorrer dos anos na tentativa de diminuir as manifestações alérgicas.

Infecções
Um estudo de 1962 que analisou cultura de bactérias obtidas a partir de coletores, absorventes internos e externos previamente utilizados por mulheres no período menstrual. A contagem de bactérias encontrada nos coletores foi menor do que nos absorventes e o resultado pode sugerir um risco menor de infecção no caso dos coletores.

No entanto, segundo ela, o simples fato de haver um número maior de bactérias nos absorventes não implica necessariamente uma infecção vaginal. É claro que a mudança na flora vaginal normal pode predispor o desenvolvimento de infecções, porém, para que exista uma infecção propriamente dita é necessário que o sistema de defesa do indivíduo falhe e permita a proliferação exagerada do agente o que, em geral, causa os sintomas genitais.

Cólicas
O uso do coletor menstrual não diminuiu as cólicas. A ginecologista afirma que cólicas menstruais acontecem pela contração do útero para eliminar o sangue menstrual e também pela passagem de grandes coágulos de sangue através do colo do útero. A mulher também pode apresentar cólicas menstruais em decorrência de determinadas doenças como endometriose, adenomiose, miomatose.

Quando utilizado, o coletor menstrual fica localizado na vagina para coletar o sangue que já saiu de dentro do útero. Portanto, não modifica a dor da cólica.

Sobre o hímen
A médica diz que o coletor menstrual pode romper o hímen, no caso de mulheres virgens. Essa ruptura acontece com maior ou menor facilidade a depender das características anatômicas desta membrana (formato e elasticidade) e do autoconhecimento da mulher ao manipular o coletor através do hímen.

Para ela, se o conceito de ‘virgindade’ da mulher envolver a manutenção da membrana himenal intacta, o uso de coletores menstruais não estaria indicado. Mas isso não é uma regra, entendemos que o conceito de ‘virgindade’ é diferente para cada mulher. Para as mulheres virgens que manifestarem desejo de usar o coletor, elas podem buscar orientações com um especialista.

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