Câncer do ovário:cirurgia preventiva é invasiva e traz riscos à paciente

Angelina Jolie fez uma cirurgia em março para retirar ovários e trompas de falópio depois que os médicos detectaram sinais precoces de câncer. O câncer de ovário é responsável por volta de 6% dos cânceres das mulheres, mas possui alto índice de mortalidade. Isso se deve por ser descoberto, na maioria das vezes, em fases avançadas (75% dos casos) e por estar dentro da cavidade abdominal, com capacidade de invadir órgãos próximos.

Existem vários tipos de cânceres de ovários, com diferentes expressões clínicas e agressividade. Quando o tumor cresce, pode se espalhar pelo peritônio, tecido que reveste a cavidade abdominal, levando a um extravasamento de líquido chamado de ascite, que pode acontecer em diversos graus. Os principais sintomas da doença são: dor pélvica e nas costas, aumento do volume abdominal pela ascite e/ou tumor e desconforto urinário e intestinal. Não existe até o momento nenhum exame para detectar o tumor precocemente.

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Todas as condições que mantenham os ovários em repouso diminuem os riscos da doença, como gestações, pílulas e outros medicamentos que levam a mulher a ficar no estado de anovulação. Obesidade, fatores dietéticos com aumento do peso, principalmente na adolescência, aumentam o risco. A reposição hormonal na menopausa não apresenta estudos conclusivos desta relação.

O método mais eficaz atualmente para evitar o câncer de ovários, ainda que não totalmente, são as cirurgias profiláticas

Por volta de 80% dos casos de cânceres são esporádicos e por volta de 20% têm ligação familiar, isto é, podemos encontrar uma frequência maior em determinadas famílias, mas não conseguimos “ligar” os parentes com câncer. Os casos genéticos ocorrem de 5% a 10% dos casos e, nestes, podemos observar na árvore genealógica familiares acometidos em diversas gerações, principalmente jovens (antes dos 50 anos), homens com câncer de mama, cânceres de mama bilaterais ou concomitantes. Os principais genes que estão envolvidos no crescimento, divisão e reparação dos genes alterados das células são o BRCA 1 e 2. As pacientes que apresentam estas alterações podem ter chance de até 40% para câncer de ovário e 65% de câncer de mama durante a vida, além de outros tipos.

Portanto, a alteração destes genes leva a maior frequência de câncer de ovário e mama nestas famílias.