Venenos viciantes no supermercado

Venenos viciantes no supermercado

Desde que colocou o ponto final no livro Sal Açúcar Gordura – Como a Indústria Alimentícia nos Fisgou (Editora Intrínseca), o jornalista investigativo americano Michael Moss nunca mais fez compras do mesmo jeito. E clama para que o mundo inteiro siga seu exemplo: não se deixe seduzir por slogans imperativos, desconfie do que lê nas embalagens e pense duas, três, quatro vezes antes de botar um produto industrializado no carrinho. Para ele, temos de pensar no supermercado como um campo minado. Isso mesmo. Só assim o consumidor pode escapar dele sem prejuízos à saúde.

A conclusão de Moss, que atua no The New York Times e já venceu o prêmio Pulitzer, vem depois de um trabalho de detetive nos bastidores da indústria de junk food (termo em inglês para comida de baixa qualidade nutricional). Foram quatro anos de entrevistas com mais de 300 ex-funcionários de alguns dos maiores conglomerados do setor. Boa parte deles, diga-se, nunca ingeriu a comida que ajudou a fabricar. “Não bebo refrigerante”, admite um dos executivos de uma grande companhia americana que produz bebidas gaseificadas.

Moss ainda procurou cientistas para entender melhor como a fórmula dos alimentos altamente processados engana nosso organismo e nos faz comer mais, mais e mais. Um PhD em Ciências dos Alimentos ouvido para o livro explica que, se um salgadinho derrete depressa na boca, por exemplo, o cérebro entende que não há calorias sendo ingeridas e, portanto, não corta a ordem para o sujeito parar de comer. Eis um dos ingredientes da epidemia de obesidade, que, longe de ficar restrita aos Estados Unidos, se espalha pelo Brasil.

Com base no seu levantamento, Moss riscou as guloseimas do cardápio da família e passou a dar mais valor aos alimentos naturais — como prega qualquer dieta mais sensata. “Os produtos industrializados podem ter sal, açúcar e gordura, mas somos nós que temos o poder de decidir o que comprar e quanto comer”, analisa.