Após parada cardíaca, morre a bebê Sofia

Depois de um ano e nove meses de luta, morreu na madrugada desta segunda-feira (14) a bebê Sofia de Gonçalves Lacerda. Ela estava internada na UTI (Unidade de Terapia Intensiva) do Jackson Memorial Hospital, em Miami, nos Estados Unidos, depois de ter realizado um transplante multivisceral envolvendo cinco órgãos. A informação foi confirmada por familiares e pela instituição.

A causa da morte foi o agravamento de uma fibrose nos pulmões, que levou a uma parada cardíaca. Sofia, que havia piorado na sexta-feira, chegou a ter uma melhora considerável no sábado, mas a situação se agravou e ela morreu por volta das 5h desta segunda-feira.

A família ainda não divulgou se o corpo será trazido ao Brasil para o enterro, mas, de acordo com o Jackson Memorial, os preparativos para o translado já foram iniciados.

De acordo com o médico brasileiro Rodrigo Vianna, diretor de transplantes do Jackson Memorial e autor dos procedimentos, a morte de Sofia é “muito triste e frustrante”. “Mais uma vez temos a prova deste mistério que é a vida e a hora de nossa morte. Lutamos contra algo muito maior que nós. Os órgãos que ela recebeu funcionavam perfeitamente, a operação foi um sucesso, mas ela teve uma infecção que a debilitou muito. Quando vencemos a infecção, os pulmões estavam severamente comprometidos”, relatou.

Ainda segundo o profissional, foi uma “honra” ter participado da luta de Sofia. “Tive a oportunidade de participar da vida dela. Aprendemos muito com Sofia e ela deixa uma linda história, ainda que curta, em nossos corações. Que Deus a receba de braços abertos”, disse.

Pela página oficial que utilizam para se corresponder com apoiadores, um comunicado oficial foi postado por Priscilla Coutinho. “Amigos, infelizmente nossa bonequinha nos deixou nessa manhã. Os pais, Patrícia e Gilson, entraram em contato via telefone informando sobre o falecimento da nossa Sophia. Não esperem que eles tenham cabeça para postar algo nas redes sociais, entendam o momento delicado”, declarou.

O caso

Sofia nasceu em 24 de dezembro de 2013 e permaneceu internada no Hospital das Clínicas da Unicamp, em Campinas (SP). Lá, a menina recebeu atendimento e a família teve a confirmação de que ela era portadora da Síndrome de Berdon, condição rara que compromete o funcionamento do sistema digestório.

Para sobreviver, Sofia necessitava de um transplante multivisceral, que inclui estômago, fígado, pâncreas e intestinos. A família entrou na Justiça alegando que o Brasil não tinha capacidade para realizar os procedimentos e pedindo que a União bancasse todos os custos do tratamento, que deveria ser feito no Jackson Memorial. Depois de uma batalha judicial onde até o pedido de prisão do ministro da Saúde, Artur Chioro, foi feito, a família venceu a causa. Só com o transplante, o montante gasto pelo governo foi de US$ 1,2 milhão (R$ 4,5 milhões).

Logo que chegou aos Estados Unidos, Sofia ficou internada. Enquanto esperou o transplante, chegou a viver com os pais por um curto período, mas voltou ao hospital para a realização dos transplantes, que ocorreram em 10 de abril deste ano, quando conseguiu um doador compatível, um norte-americano do Estado da Flórida.

Ela chegou a receber alta, mas teve que voltar ao hospital, em 2 de julho, por conta de uma infecção no sangue ocorrida depois de ela contrair um vírus chamado CMV (citomegalovírus), da mesma família do herpesvírus, que causa catapora e vários tipos de herpes.

Debilitada, ela enfrentou dificuldades respiratórias e acabou internada na UTI em 8 de agosto. Ela foi entubada e venceu a infecção, mas teve danos nos pulmões e não resistiu.