Vacinar gestantes contra a gripe diminui em 50% o risco de morte fetal, demonstra estudo

Mulher grávida em consulta

Gripe não é brincadeira, principalmente quando se trata das futuras mamães. É que, durante a gravidez, o sistema imunológico da mulher fica mais fraco, o que abre portas para que agentes infecciosos façam estrago na saúde da mãe e do bebê. Entre as ameaças estão os vírus da família influenza, os causadores da gripe. Seus efeitos no organismo da gestante ainda estão sendo estudados, mas a principal teoria é que a infecção por influenza causa uma inflamação na mãe, impactando no crescimento do feto.

A principal medida para evitar que a gripe ameace a gravidez é a vacinação. Em um estudo recém-publicado no periódico científico Clinical Infectious Diseases, Annette e um time de pesquisadores notaram que imunizar a gestante contra essa infecção pode diminuir pela metade a probabilidade de morte fetal. Os cientistas analisaram 58 mil nascimentos que ocorreram entre abril de 2012 e dezembro de 2013 na Austrália. Das gestantes que participaram do levantamento, 53 mil receberam a vacina trivalente durante os nove meses; as outras 5 mil não foram imunizadas. Comparando os dois grupos, os estudiosos notaram que as grávidas vacinadas contra a influenza tinham um risco 51% menor de ter filhos natimortos (bebês que nascem sem vida com mais de 22 semanas gestacionais e pesando mais de 500 gramas) em relação às que não tomaram o medicamento.

Durante a pandemia de H1N1, em 2009, nós vimos uma redução similar de mortes fetais após a vacinação. Nossos resultados são particularmente animadores porque eles mostram que podemos ter a mesma proteção durante as epidemias sazonais, que acontecem todos os anos durante o inverno.

Segurança para mãe e filho

Já deu para ter uma ideia de por que é fundamental que as gestantes se protejam da gripe, certo? Não é à toa que elas integram o grupo prioritário para receber o imunizante durante as campanhas de vacinação. Ao tomar a vacina, a mãe protege a si e ao bebê, pois ela transfere anticorpos contra o influenza para filho, que só poderá ser imunizado aos 6 meses.

O mesmo vale para as puérperas, ou seja, mulheres que estão no período pós-parto. Além de fortalecerem suas defesas (que ainda estão em baixa devido à gravidez), elas transferem proteção contra o vírus ao bebê pelo leite materno. E fique tranquila: a vacina é feita com vírus inativado e, portanto, é segura para mãe e filho.

Campanha de vacinação

Em 2016, o surto de gripe começou antes do tempo esperado no Brasil. Este ano, quem está causando estragos é o H1N1, um dos tipos de influenza. Em fevereiro, a região Sudeste já apresentava casos de infecção pelo vírus. Até o dia 5 de abril, a Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo (um dos estados mais afetados) registrou 534 casos de gripe e 70 óbitos ligados ao H1N1. Daí porque a campanha de vacinação contra a gripe foi antecipada no território paulista.

A partir desta segunda-feira (11), cidadãos que integram o grupo prioritário poderão receber o imunizante na rede pública e nas clínicas particulares. São eles as grávidas, as crianças com idades entre 6 meses e 5 anos e os idosos. Do dia 18 em diante, a imunização atenderá também pacientes com doenças crônicas ou que comprometem a imunidade, indígenas e as puérperas (até 45 dias após o parto). Para os demais indivíduos a vacinação acontecerá junto com a campanha nacional, entre os dias 30 de abril e 20 de maio.

Vale destacar que o imunizante oferecido em São Paulo já é a versão atualizada, que será disponibilizada a partir do dia 30 em todo o país. Além do H1N1, essa vacina protege contra as novas cepas dos vírus H3N2 e influenza B, que também causam gripe.