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Como explicar o Alzheimer para crianças

A perda de memória é o que mais assusta as pessoas em relação ao Alzheimer e, devido a isso, também acaba sendo um dos motivos pelos quais as crianças acabam sendo afastadas dos vovôs e vovós com a doença. No entanto, isso pode ser prejudicial tanto para os pequenos quanto para os pacientes.

Mesmo sem lembrar que aquela criança é o neto que tanto ama, por exemplo, o idoso com Alzheimer se alegra com a presença dos pequenos. E impedir que os mais novos vivenciem perdas pode ser um problema que eles carregarão para o resto da vida.

“Sou totalmente contra excluir crianças de situações que façam parte do ciclo da vida. A pessoa polpa a criança de tudo e quer que ela cresça com maturidade, mas o pequeno não teve a chance de vivenciar situações de perda, seja física, como a morte, ou de memória, como as relacionadas à doença”, afirma a psicóloga Vera Bifulco, uma das responsáveis pelos grupos de apoio a cuidadores de pessoas com a demência da Associação Brasileira de Alzheimer (Abraz).

A especialista explica que o melhor é conversar, explicar as mudanças que vão acontecer e o porquê. “Sempre responda o que a criança te pergunta. Nunca vá além, porque na vida temos de falar verdades progressivas e suportáveis, verdades que a pessoa consiga assimilar e digerir. Se acabar ouvindo um monte de informações, aquilo pode ser demais, não só para as crianças, mas para os adultos também.”

exames

Como e quando falar sobre a doença

Os pais ou responsáveis devem entender que a forma de se falar sobre a doença varia de acordo com a faixa etária da criança. Aquelas com mais de nove ou dez anos, por exemplo, já conseguem compreender explicações mais elaboradas. As mais novas, por outro lado, necessitam de uma explicação mais lúdica.

Termos pejorativos como “gaga” ou “esclerosado” precisam ser evitados. É possível dizer que a pessoa tem uma doença chamada Alzheimer, que é um nome complicado, mas dado em homenagem ao médico que descobriu a doença. Em seguida, pode-se explicar sobre os sintomas da doença, como as falhas de memória e alterações de comportamento.

Além disso, é essencial alertar a criança que o paciente não precisa ser ensinado, mas, sim, acolhido. “Não adianta ensinar todo dia a mesma coisa porque ele não vai gravar. Mas ele precisa ser protegido de uma infantilização, de um preconceito, de julgamentos e até dos perigos do dia a dia”, explica Vera.

Os responsáveis não podem pensar que a criança não vai entender. O mais importante é descobrir como falar sobre o Alzheimer. Deixar o pequeno conversar com o paciente também é uma alternativa.

Reprodução de
Vovô é um Super Herói/ Divulgação

Reprodução de “Vovô é um Super-Herói”: livro foi escrito após autor perceber que famílias não sabiam lidar com doença

Vovô super-herói

Publicado no início do mês, o livro “Vovô é um Super-Herói” aborda justamente a história de um menino que precisa enfrentar o Alzheimer ao lado do avô. Consciente de que o homem com quem sempre viveu grandes aventuras está um pouco diferente, a criança passa a encarar a doença como mais um desafio para a dupla – e sempre imaginando a patologia como um monstrinho.

O livro é do gaúcho Fernando Aguzzoli, que largou a faculdade e o emprego para cuidar da avó quando os sintomas da demência passaram a impedir que ela ficasse sozinha – a família não tinha dinheiro para contratar um cuidador profissional e não queria colocar Dona Nilva em um residencial.

Aguzzoli decidiu escrever sobre o Alzheimer para crianças após ouvir relatos de famílias nos quais elas afirmavam fazer justamente aquilo que especialistas alertam para evitar: afastar os pequenos do convívio dos pacientes.

Fonte: Saúde – iG