fertilidade

FERTILIDADE X INFERTILIDADE

Seguindo os preceitos do Livro Sagrado: “Sede fecundo, multiplicai-vos, enchei a Terra”, a maioria das pessoas ainda considera a procriação o principal dever do ser humano, a adequação do problema da infertilidade contínua sendo um assunto de extrema importância para diversas culturas através do mundo.

Cerca de 300 anos atrás, foi inventado o Microscópio e desde esta época iniciaram os estudos sobre a fertilidade, pois pela primeira vez foi possível à observação do espermatozóide, também nesta época que foi descoberto algumas características do óvulo, após este momento o estudo da fertilidade humana abandonou o terreno da especulação para se tornar objeto de estudo na ginecologia e na biologia humana.

Mioma_Fertilidade

Podemos comparar o óvulo humano a uma esfera do tamanho de um ponto tipográfico (.), observado no microscópio poderemos aumentar seu tamanho em milhares de vezes, podemos comparar sua morfologia semelhante ao ovo de uma galinha, como uma espécie de gema rodeada pela clara, nessa observação é difícil revelar a espécie que o óvulo pertence, animais tão diferentes entre si, como por exemplo o elefante e um rato possuem óvulos parecidos.

No centro do óvulo encontramos alguns pontos escuros (cromossomos) que constituem o material hereditário da espécie, nos humanos, encontramos no óvulo 23 cromossomos, a mulher expele apenas um óvulo durante o período fértil mensal, que após fecundado pelo espermatozóide transforma-se em célula-ovo, futuramente em embrião e depois feto.

Os espermatozóides humanos podem sofrer várias alterações em sua morfologia, classificamos tais alterações como: Espermatozóides Macrocéfalos (apresentam um aumento na cabeça do espermatozóide), Espermatozóide Microcéfalo (apresentam uma diminuição na cabeça do espermatozóide), Espermatozóides Bi-céfalos (espermatozóides que apresentam duas cabeças), Espermatozóides Bi-caudal  (espermatozóides que apresentam duas caudas), Espermatozóides Ectasias (espermatozóides sem forma definida) e Espermatozóides Mistos (espermatozóides que apresentam mais de duas alterações morfológicas em sua estrutura). Os espermatozóides normais tem a forma microscópica parecida com a de um girino, composto de cabeça, cauda e movimento próprio, a cabeça mede em torno de 0,0025 cm de diâmetro e sua cauda em torno de 10 a 12 vezes esta medida, de acordo com alguns estudos concluímos que o espermatozóide pode se locomover até 0,32 cm por minuto, em número por mililitros (ml) de liquido seminal (esperma) podemos encontrar até 200.000.000 de espermatozóides, e apresentam 23 cromossomos em sua carga genética, assim quando ocorre a fecundação os 23 cromossomos do óvulo somam-se aos outros 23 cromossomos dos espermatozóides, dando origem ao novo ser com 46 cromossomos ( 23 pares ), com características herdadas tanto do Pai, quanto da Mãe. Salientamos que qualquer alteração no número destes cromossomos ou pareamento errôneo surge o aparecimento de algumas síndromes, como por exemplo: Síndrome de Down, Síndrome de Turner, Síndrome de Klinifelter, Síndrome de Patau entre outras.

Através de um exame laboratorial denominado ESPERMOGRAMA, podemos avaliar a quantidade e a qualidade dos espermatozóides do homem, possibilitando assim avaliar o poder de fecundação através do Índice de Botella-Casares.

Na infância os ovários crescem normalmente, desde o inicio eles contem os óocitos primários (células primitivas dos futuros óvulos), durante a vida fértil feminina são amadurecidos aproximadamente 500 óvulos, o restante se degenera. Antes mesmo da puberdade, quando se inicia o processo de maturação dos óvulos, alguns óvulos potencialmente férteis já podem ser expelidos pelo ovário, isso explica a possibilidade de casos de gravidez infantil.

Na Menarca (primeira menstruação) indica que a mulher esta produzindo seus óvulos normalmente, no inicio da adolescência, embora a menstruação seja regular, os óvulos ainda não são expelidos todos os meses, em geral somente com 16/17 anos que a ovulação ocorre regularmente, criando condições mensais de fertilidade. Após a fecundação do óvulo pelo espermatozóide, os cromossomos se unem dando origem a célula-ovo e assim inicia-se a primeira etapa de uma nova vida, esta célula vai se dividindo interior0mente, se transformando num aglomerado de células semelhante a uma amora, que recebe o nome de bastócito. Durante todo esse processo as paredes internas do útero são formadas e preparadas por ação hormonal para receber a fixação desta célula-ovo.

No Laboratório de Análises Clínicas são realizadas várias dosagens hormonais que ajudam a diagnosticar alguma deficiência hormonal que a mulher venha necessitar num processo gestacional, entre os mais solicitados podemos destacar: LH (hormônio lutheinizante), FSH ( hormônio folículo estimulante), PROGESTERONA, PROLACTINA, ESTRADIOL, ESTRONA, ESTRIOL E TESTOSTERONA.

Já no diagnóstico da gravidez, é realizado no laboratório a dosagem de BHCG (hormônio Gonadotrofina Coriônica fração Beta), exame realizado no sangue, que dependendo do caso, pode diagnosticar a gravidez, após 3 dias do ato sexual. Portanto salientamos que vários fatores podem interferir na formação do embrião/feto durante a gestação, como por exemplo o uso de medicamentos, infecções por vírus ou bactérias, exposição a radiações e toxinas, também são particularmente perigosas neste período. Daí se da a importância do acompanhamento médico durante este período e a necessidade de realizar um exame pré-natal.

Nos casos de infertilidade do casal, o clínico tende a iniciar a investigação sempre pelo homem, pois a infertilidade masculina pode ser constatada através de um simples ESPERMOGRAMA, salientamos que para realizar este exame com êxito é necessário que o individuo esteja no mínimo de 4/5 dias em abstinência sexual e a amostra deve ser enviada ao laboratório exatamente após a coleta, o resultado deste exame será liberado no máximo em 3 dias úteis.

Lembramos que a infertilidade ou a esterilidade de um casal atualmente é um problema normal na Medicina atual, devemos esquecer crenças antigas, simpatias transmitidas de geração em geração, através de lendas relacionadas com a infertilidade humana, existem vários recursos médicos avançados nesse campo, como por exemplo a Fertilização in Vitro, o mais importante ainda que nesses casos de infertilidade deve ser tratado como infertilização do casal, sem culpar ou apontar o culpado, informe-se, procure seu ginecologista que ele indicará uma ótima alternativa para seu caso. Boa sorte e CUIDE-SE BEM!

(*) Dr. Carlos Eduardo Pires de Campos
Biomédico – Patologista Clínico
Especialista e Pós Graduado em Análises Clínicas
Diretor do Laboratório Instituto de Biomedicina do ABC
Diretor do Laboratório de Análises Clínicas Cellula Mater
Delegado Regional do Conselho de Biomedicina / Baixada Santista
Professor Técnico e Universitário